"Ele mesmo julga o mundo com justiça; administra os povos com retidão" (Salmo 9.8).
Como Davi acabou de
testemunhar, que o poder de Deus não é inativo, de modo que ele habita no céu
apenas se entregando aos prazeres, mas que é um poder constantemente operante
que ele exerce para preservar sua autoridade e governar o mundo com justiça e
equidade. Então, neste versículo, ele adiciona o uso desta doutrina, que é
esta: que o poder de Deus não está encerrado no céu, mas se manifesta em
socorro à humanidade. A verdadeira doutrina sobre este assunto, não é, como
Epicuro, imaginar que Deus é um ser totalmente dedicado ao conforto e aos
prazeres, e que, satisfeito consigo mesmo, não se preocupa absolutamente com a
humanidade. Ao invés, ela mostra que ele está no seu trono de poder e equidade para que possamos
estar totalmente convencidos de que, embora ele não socorra imediatamente
aqueles que são oprimidos injustamente, não há um momento em que deixe de
ter um profundo interesse por eles. E quando ele parece por um tempo não dar
atenção às coisas, a conclusão a que devemos chegar com maior acerto é: não que
ele abandonou sua função, mas que deseja, por meio disso, exercer a paciência de
seu povo e que, portanto, devemos esperar sua decisão com paciência e
tranquilidade de espírito.
Ninguém pode privar
Deus de seu cargo de Juiz do mundo e nem o impedir de estender seus julgamentos
a todas as nações. Donde se segue que ele será muito mais o juiz de seu próprio
povo. Davi declara que esses julgamentos são justos, a fim de nos induzir,
quando somos injustamente e cruelmente molestados, a pedir ajuda a Deus, na
expectativa confiante de obtê-la. Porque visto que ele julga as nações com
justiça, não permitirá que a injustiça e a opressão reine sempre e com
impunidade no mundo, e nem negará sua ajuda aos inocentes.
João Calvino, comentário ao Salmo 9.8.
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"...o poder de Deus não é inativo, de modo que ele habita no céu apenas se entregando aos prazeres."
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