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CALVINOFOBIA TEVE DIAGNÓSTICO NOTICIADO NO SÉCULO XIX

┌N ão é de recente uso popular, a caracterização da palavra “fobia” à exagerada aversão a algo ou alguém. Quando a constatação é da própria pessoa a respeito dela mesma, em relação a algo ou alguém, que pretende convencer da total incompatibilidade e se fazer entendida da impossibilidade de aproximação ou pertencimento à referência preterida. Quase sempre, com ar de desdém, é dito: “Jamais! Até mesmo só em pensar, sinto fobia!” Por sua vez, o diagnóstico dirigido à outra pessoa, na busca de mediar uma maior sensibilidade, empatia e leveza aos condicionadores do ego (egoísmo) e éticos (moralismo), foi dito: “Você tem é fobia disso!” No entanto, foi ouvido como se insinuasse que a causa era o preconceito da parte dela preconceito da parte dela: “Você tem é preconceito a isso!”
É comum ocultar o preconceito através do uso de termos, como esse em menção. Um exemplo disso, ouvi de uma senhora, muito elegante e, ainda muito mais, chateada pela dificuldade de acesso aos serviços daquele shopping, devido ao grande número de frequentadores. “Nisso, inevitavelmente, passa a ter fila para tudo. Não sem razão, tenho fobia a pobre!” – conclui seu argumento à colega sobre o motivo daquela superlotação e da sua fobia. Não sem razão, também, não é preciso leitura das entrelinhas, se é que existem, nesse caso!
Isso considerado, não se trata de um caso inusitado, o fato noticiado na edição de 28/3/1891 do Jornal Imprensa Evangélica, em matéria da coluna Variedades, sob título de “Calvinofobia”, sobre a ocorrência do primeiro acometimento humano diagnosticado, cujos sintomas são medo e aversão exagerados à pessoa do reformador protestante do século XVI, João Calvino, que se faz transcrição do noticiado, em ortografia atual, a seguir:
Calvinofobia — Está sofrendo de um ataque agudo dessa doença um colega do norte, segundo obtemos de seu próprio testemunho, em que morde a torto e a direito. Recomendamos que ele se ocupe, antes, de “melhores coisas e mais vizinhas à salvação, ainda que assim falemos” e que, como remédio, tome muitas doses das obras de Calvino.

No entanto, em sua matéria, o colunista apenas aproveitou o ocasionado uso de expressão linguística metafórica, comumente utilizada para convencimento da convicção oposta assumida em relação ao tratamento de um assunto ou forma de demonstrar incompatibilidade, a ponto de nem se deixar ouvir a respeito. Muita audição foi dada à declaração, que apenas ao ouvir sobre um assunto tem-se o acometimento de ataque de tremores, dentre outros sintomas. Por certo, assim como atualmente, ao final do século XIX esse modo de se expressar não era considerado que de fato havia ocorrido desenvolvimento de reação patológica.
Como se observa na prescrição de medicação ao colega, o colunista faz entender que a matéria é resposta à informalidade ocorrida na conversa entre eles, em demonstração de plena indisposição à adesão às ideias calvinianas pelo colega, através de usual metáfora. Por certo, a leitura da matéria oportunizou momento de risos ao colega do norte. Da parte do colunista, o sentimento de esperança, que seu conselho fosse a abertura da via à evangelização do seu estimado, ou melhor, a calvinização dele.
Convém ressaltar o fato de que, não poucas vezes, tem-se deparado com considerada quantidade e variados níveis de pessoas, sob o referido distúrbio mental: o “Calvinofobia”, verificada pelo ataque mais do que agudo (porém, crônico), de falta de educação, arrogância e cinismo, quando envolvido no trato pessoal à conversa sobre o pensamento calviniano.
Faz parte da política de confidencialidade e respeito ao leitor do Blog Calvino21, jamais usar de réplica à sua opinião nos comentários através de postagem posterior ou resposta pública nos comentários, de forma a ocasionar condicionamento à sua liberdade de expressão. Muitos comentários não são aprovados à publicação na postagem, pois são escritos por pessoas que apresentam os sintomas, acima descritos, próprios aos portadores de calvinofobia. Na maioria das vezes, usam apenas duas linhas do formulário de comentários, mas parece que o preencheram todo, devido a expressão de sentimento parecido com o de vingança ou perseguição intencional, mesmo em postagem não polêmica e sem motivo à réplica do leitor. Assemelha-se à opinião de uma colega com fobia à barata: “É barata? Ela deve morrer ou tenho que correr!”
Melhoras desse quadro, somente se espera caso o paciente siga a recomendação prescrita centenária de intervenção terapêutica e medicamentosa: ocupar-se, antes, “das coisas que são melhores e pertencentes à salvação” (Hb. 6.9) e, como remédio, tomar muitas doses das obras de João Calvino.
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