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LANÇAMENTO: LIVRO "JOÃO CALVINO: QUEM DIZEM QUE SOU?"

 S ob empréstimo da pergunta de Jesus aos discípulos, foi publicada a décima obra da Coleção Calvino21 , organizada pelo historiador e teólogo J. A. Lucas Guimarães, sob o título: ▪ ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ ▪   ┌   JOÃO CALVINO: “QUEM DIZEM QUE SOU?” ▪  Esboços de retratos calvinianos  ▪ ▪ ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ Capa do livro "João Calvino: 'Quem dizem que sou?'" N ela temos a convicção de que a relação de seu contexto original com as identificações à pessoa de João Calvino desde sua morte, não é mera coincidência. Se lhe fosse oportuno um lance de existência atual, é possível que ele fizesse semelhante indagação, apesar de seu desinteresse por ela em sua existência. Desse modo, tem início o empenho de disponibilizar a verdade histórica da identidade e identificação de João Calvino: advogado, um dos principais líder da Reforma Protestante do século XVI, pastor na cidade de Genebra e escritor cristão, com vasta liter...

COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO AO LIVRO DOS SALMOS 145.18

 
A INESTIMÁVEL GRAÇA DE DEUS À CORRETA ORAÇÃO

"Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade." — Salmos 145.18

 P erto está o Senhor de todos os que o invocam: essa verdade é, principalmente, aplicada aos crentes, a quem Deus, por meio de um privilégio singular, convida-os a se aproximarem dele, prometendo que atenderá às suas orações. Sem dúvida, a fé permanece inativa e até mesmo morta sem a oração, na qual o espírito de adoção se manifesta e se exerce e pela qual evidenciamos que consideramos todas as suas promessas como firmes e seguras. Em suma, a graça inestimável de Deus aos crentes, entra em cena nisso: quando Ele se apresenta a eles como um Pai. Enquanto muitas dúvidas nos invadem, quando oramos a Deus e nos aproximamos dele com tremor, ou falhamos por nos desanimarmos e perdermos a esperança, Davi declara ser verdade, sem exceção, que Deus ouve os que o invocam.

Ao mesmo tempo, enquanto a maioria das pessoas perverte e profana o método de invocar Deus por meio de suas próprias invenções, o modo correto de orar é estabelecido na parte do versículo que segue, a saber: que devemos orar em verdade. Embora as pessoas recorram a Deus de maneira fria ou até mesmo em suas orações se queixem dele, enquanto seus corações se enchem de orgulho ou raiva, ainda assim reclamam de não serem ouvidos, como se não houvesse diferença entre orar e discutir ou entre o exercício da fé e a hipocrisia. A maior parte das pessoas envolvidas na infidelidade, mal acredita que exista um Deus no céu; outros o baniriam de lá se pudessem; outros o prenderiam às suas opiniões e desejos, enquanto alguns buscam maneiras superficiais e insuficientes de reconciliá-lo, de modo que a maneira comum de orar é apenas uma cerimônia vá e vazia.

E embora quase todas as pessoas, sem exceção, recorram a Deus em momento de necessidade, são realmente poucos os que demonstram a menor medida de fé ou arrependimento. Seria melhor que o nome de Deus fosse enterrado no esquecimento, do que exposto a tais insultos. Há uma boa razão, portanto, para se dizer que a verdade é necessária em nossas orações: que elas provêm de um coração sincero. A falsidade, que é o oposto dessa sinceridade, assume várias formas. Na verdade, seria difícil enumerá-las: infidelidade, hesitação, impaciência, murmuração ou humildade fingida. Em suma, há tantas variedades dela, quantas são as disposições pecaminosas. Sendo a verdade de grande importância, Davi novamente a confirma e a amplia no versículo seguinte. A repetição merece nossa especial atenção, pois tal é a nossa tendência à incredulidade, que poucos são os que, ao invocar a Deus, não consideram suas orações infrutíferas. Daí a maneira perversa com que as mentes errantes das pessoas são levadas de um lado para o outro, como no Papado, onde inventaram inúmeros patronos, considerando quase irrelevante abraçar com fé inabalável as promessas pelas quais Deus nos convida a si mesmo.

Para abrir ainda mais as portas, o Espírito Santo, pela boca de Davi, nos diz que Deus se adaptará aos desejos de todos os que o temem. Esse é uma forma de expressão, da qual é difícil dizer o quanto deveria impressionar nossas mentes. Quem é o ser humano, para que Deus se submeta à sua vontade, quando, na verdade, cabe a nós contemplar a sua grandeza exaltada e nos submeter humildemente à sua autoridade?

Contudo, ele voluntariamente se rebaixa a essas condições, para refrear os nossos desejos. Ao mesmo tempo, há um limite a ser imposto a essa liberdade, e não temos uma licença de apetite universal, como se seu povo pudesse clamar desenfreadamente por tudo o que seus desejos corruptos listassem. Todavia, antes de Deus dizer que ouvirá suas orações, impõe a lei da moderação e da submissão aos seus afetos, como aprendemos com João: "Sabemos que ele não nos negará nada, se o buscarmos segundo a sua vontade" (1Jo. 5.14).

Pela mesma razão, Cristo ditou essa forma de oração, "Seja feita a Tua vontade", estabelecendo limites para nós, a fim de que não prefiramos absurdamente nossos desejos aos de Deus, nem peçamos sem reflexão o que primeiro vem à nossa boca. Davi, ao mencionar expressamente os que temem a Deus, ordena-lhes temor, reverência e obediência, antes de lhes conceder a graça divina, para que não se julguem no direito de pedir mais do que a Sua palavra concede e aprova. Quando ele fala do clamor deles, está apenas qualificando o que havia dito. Pois a disposição de Deus em atender as nossas orações nem sempre é tão evidente, a ponto dele respondê-las no exato momento em que são feitas. Temos, portanto, necessidade de perseverança nessa prova de nossa fé, e nossos desejos devem ser confirmados pelo clamor. A última cláusula, "ele os salvará", também é adicionada como correção, para nos fazer perceber até que ponto e com que propósito Deus responde às orações de seu povo, ou seja, para demonstrar de forma prática que Ele é o fiel guardião do bem-estar dele.


Autor  João Calvino

Comentário ao Livro dos Salmos [145.18].
Disponível em: https://www.ccel.org/study/Ps_145.
Tradução  Calvino21.

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