"...qualquer pessoa que deseje perseverar na retidão e na integridade da vida, aprenda a se exercitar diariamente no estudo da Palavra de Deus." – João Calvino, Comentário ao Livro dos Salmo [18.22].
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┌O cristão do século XXI encontra-se sob enorme pressão em direção contrária à sua busca de vivenciar sua fé em Cristo como Senhor e Salvador com integridade e sinceridade. Apesar da consciência que o Cristianismo de aparência é tão perigosamente inútil quanto ao professado pelo cristão nominal, parece que não mais existir outro meio de tomar a cruz e seguir a Jesus Cristo em discipulado. Em face às variações do pecado social alcançarem o status de simples manifestações culturais da sociedade e ao padecimento do intento à fé em Cristo na observação aos seus mandamentos à suspeita de comprometimento da sanidade pessoal pela patologia do radicalismo religioso, que se atente à atenção de João Calvino (1509-1564) ao testemunho do salmista Davi: "Pois todos os seus julgamentos estavam diante de mim, e eu não afastei de suas ordenanças" (Sl. 18.22). Porque, ao abordar nele uma situação que nos parece contemporânea, revela-se plenamente norteadora à superação de qualquer possível desânimo, diante da aparente ausência de alternativa à prática rotineira cristã do Evangelho de Cristo.Ao comentar a declaração do salmista em citação, o reformador e pastor de Genebra situa o sacro escritor ao leitor, dado ao decorrer do enredo, sobre seu intento naquele ponto do testemunho, com a seguinte observação:
Ele agora mostra como passou a possuir essa retidão de caráter inflexível, pela qual ele foi capaz de agir de maneira honesta em meio a tantas e tão graves tentações, a saber: porque sempre aplicou sua mente ao estudo da lei de Deus. Como Satanás está diariamente fazendo novos ataques contra nós, é necessário recorrer às armas. E é a meditação sobre a Lei Divina que nos fornece a armadura para resistir. Portanto, qualquer pessoa que deseje perseverar na retidão e na integridade da vida, aprenda a se exercitar diariamente no estudo da Palavra de Deus. Porque sempre que uma pessoa despreza ou negligencia a instrução, facilmente cai em descuido e estupidez, bem como todo o temor de Deus desaparece de sua mente.

Quando parece que não resta alternativa ao cristão senão de perda de integridade, Calvino encontra no testemunho do sacro escritor dos Salmos situação oposta. Ocorre que, apesar da extrema gravidade das tentações vivenciada por ele e da sua dramática condição de aparente impossibilidade de viver por fé, o salmista revela que o ganho de retidão de caráter inflexível que ele obteve, razão por se erguer como testemunha viva aos fiéis, não teve por causa nenhuma novidade ritual religiosa. Conforme, o reformador, ele havia colocado em prática o cerne capacitador de sua superação, que tematizaria como centro do princípio e da razão da sabedoria, a saber: "porque sempre aplicou sua mente ao estudo da lei de Deus."
De certo, a interpretação calviniana do enunciado do salmista Davi, a partir do contexto do Salmo 18, não induz a pensar que o uso dos termos "mente" e "estudo" ao apego consciente do duplo aspecto da Lei do Senhor era do entendimento do reformador um ato de exclusividade racional ou escriba à legalidade da letra dela. Isso é fato, quando se observa, mesmo dada a indisposição de Calvino em formular alguma "distinção sutil" entre as palavras julgamentos e ordenanças, sua concepção da Lei era semelhante à dupla face de uma moeda, a saber:
Se, no entanto, qualquer pessoa está inclinada a fazer uma distinção entre elas, a melhor distinção é remeter julgamentos à segunda tabela da lei e ordenanças, ou estatutos [...] aos deveres da piedade e aos exercícios imediatamente relacionados ao culto a Deus.
Ao preencher sua mente com o duplo aspecto da Lei do Senhor aos ditames de um inflexível caráter à retidão e integridade pessoal, esse testemunho do salmista Davi é recebido por Calvino como próprio à razão da existência de seu temor a Deus, que é ausente à pessoa que "despreza ou negligencia a instrução" da Palavra de Deus. Porque a profissão de fé e obediência a Deus apresenta seu referencial condicionado à meditação permanente da Palavra, que é a causa do temor ao Senhor, demonstrado pela observação de sua Lei e verdadeiro culto a ele (deveres de piedade e exercícios de devida adoração).
Por fim, o testemunho do salmista Davi é oportuno à exortação de Calvino sobre a natureza do enfrentamento diário do cristão aos ataques incansáveis do diabo. Diante da necessidade de nos equipar de armamento apropriado, tem-se, portanto, que "é a meditação sobre a Lei Divina que nos fornece a armadura para resistir." Considerado o exposto, o que se pode afirmar sobre a armadura que nos é fornecida à resistência do maligno?
Certamente, aquilo que é oriundo imediato da meditação na Palavra de Deus, que o torna "capaz de agir de maneira honesta em meio a tantas e tão graves tentações" à semelhança do salmista Davi, a saber: a perseverança na retidão e na integridade da vida. O cristão passa a possuir inflexibilidade ao mal em razão de seu aprendizado diário da sabedoria do céu, que forja seu caráter à condição de armadura, de forma a proteger seu coração e não se cansar de fazer o bem ao resistir o inimigo.
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Autor ┌ J. A. Lucas Guimarães
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