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LANÇAMENTO: LIVRO "JOÃO CALVINO: QUEM DIZEM QUE SOU?"

 S ob empréstimo da pergunta de Jesus aos discípulos, foi publicada a décima obra da Coleção Calvino21 , organizada pelo historiador e teólogo J. A. Lucas Guimarães, sob o título: ▪ ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ ▪   ┌   JOÃO CALVINO: “QUEM DIZEM QUE SOU?” ▪  Esboços de retratos calvinianos  ▪ ▪ ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ Capa do livro "João Calvino: 'Quem dizem que sou?'" N ela temos a convicção de que a relação de seu contexto original com as identificações à pessoa de João Calvino desde sua morte, não é mera coincidência. Se lhe fosse oportuno um lance de existência atual, é possível que ele fizesse semelhante indagação, apesar de seu desinteresse por ela em sua existência. Desse modo, tem início o empenho de disponibilizar a verdade histórica da identidade e identificação de João Calvino: advogado, um dos principais líder da Reforma Protestante do século XVI, pastor na cidade de Genebra e escritor cristão, com vasta liter...

JOÃO CALVINO E O SALTÉRIO DE GENEBRA

 

▪ ▪ ▪   Cyrene Paparotti Gounin

L  embramos a data natalícia de João Calvino, em 10/07/1509, Noyon, França. Ele ocupa o lugar central do movimento da Reforma nos países de língua francesa.

Em 1536, na cidade de Estrasburgo, Calvino escreveu a Instituição da Religião Cristã [As Institutas]. Nela ele já insistia sobre a importância do canto dos Salmos, manifestando o desejo de criar um livro com os Salmos rimados, metrificados em língua francesa. Em 1538, familiariza-se com os salmos versificados por Martinho Lutero e os adapta à comunidade francesa com a ajuda de poetas. Em 1539, ele já edita Aulcuns Pseaulmes et cantiques [Alguns Salmos e cânticos], composto de 13 salmos, o Cântico de Simeão, os Mandamentos e o Credo. O prefácio desta edição reza [neste volume]: “...se desenvolve a necessidade da oração em língua não erudita e do canto, seguida de um formulário de batismo, celebração da Ceia, do casamento, visitação de doentes, constituindo assim do primeiro ritual protestante de Genebra.”

Le Psautier de Genéve

De 1541 até a sua morte em 1564, Calvino residiu em Genebra, fugindo das guerras de religião na França. Porém, ele manteve contato estreito com os protestantes franceses. Estando em solo estrangeiro, Calvino pode propiciar o fornecimento de bíblias, novos testamentos e hinários, impressos nas 30 prensas da Genebra. Ele também redigia comentários da Bíblia, sermões e lições teológicas, além de instruir e encorajar prisioneiros, ou ainda guiar à distância pessoas de posição importante convertidas. Ele fundou uma academia em Genebra, em 1559. Muitas vezes, Calvino direcionava o trabalho de colportores (vendedores ambulantes de livros) ou até mesmo de “contrabando”, recebendo barris de vinho da França e devolvendo os mesmos, repletos de material protestante.

O que conhecemos como Saltério de Genebra foi uma construção paulatina. Em 1543, em Genebra, aparece a edição de 50 Salmos com melodias (49 salmos, Cântico de Simeão, Mandamentos, Credo, Saudação Angelical, Oração para ante e após a refeição). Em 1551 é editado Octante-trois psaumes, avec des melodies [Oitenta e Três salmos com melodias]. Em 1553, surge Octante neuf psaumes [Oitenta e Nove Salmos].

Em Genebra reinava grande disciplina religiosa. Os modos eram mais austeros e puros, tanto no vestir, como no comer, no falar e na música. Muitos franceses vinham procurar refúgio lá ou vinham estudar para serem pastores. Calvino foi bem restrito na questão da hinódia protestante em língua francesa. Ele defendia a ideia de que não havia melhor poesia que a dos Salmos, legitimamente ditados pelo Espírito Santo. A música que embalava estes Salmos, deveria ser diferente daquela cantada às mesas. Os textos dos Salmos foram colocados em versos por diferentes poetas franceses da Renascença. Clément Marot, amigo do rei Francisco 1º, e Théodore de Bèze foram os principais deles. Louis Bourgeois, de Paris, Pierre Daguès, de Montricoux, Guillaume Franc e muitos anônimos contribuíram com a realização musical dos Salmos metrificados. A primeira edição completa do Psautier de Genève [Saltério de Genebra] data de 1562.

Segundo Calvino a música deveria ser monódica. A polifonia não era bem-vista, nem mesmo os instrumentos. Como consequência, muitos órgãos foram desmontados ou até mesmo queimados. As melodias eram baseadas nos modos eclesiásticos, especialmente os modos de (dórico) e de Sol (mixolídio). A prática Calvinista teve também adeptos na Alemanha e luteranos cantavam estes salmos metrificados. Mesmo J. S. Bach teve contato com esta prática na corte de Köthen entre 1717 e 1723. O Saltério de Genebra inspirou os de Lyon, de Lausanne, Huguenot, os quais foram se perdendo com o tempo.

Nas igrejas um cantor (chantre) entoava os salmos e a congregação os repetia. Nos cultos domésticos, eles eram também cantados. Embora contrariando os dizeres de Calvino, Claude Le Jeune (1528-1600) e Claude Goudimel (1505-1572) fizeram versões polifônicas dos salmos. Eles diziam que estas versões mais alegres poderiam ser cantadas nas casas. Para todos os efeitos, não se pode deter a evolução musical em tempo algum!

João Calvino foi emblemático à Reforma Protestante. Politicamente, ele se instalou na República de Genebra, um estado independente desde 1534 (anexada à França em 1798 e à Confederação Suissa em 1815), tornando-a a “Roma Protestante”: com grande ebulição intelectual e teológica, criando até mesmo a escolaridade gratuita e obrigatória. Eis aí o evangelho iluminando o mundo!

Em 1564, o mundo lamenta o desaparecimento do seu grande pastor.

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Cyrene Paparotti Gounin  Mestre e professora no Music Center em São Paulo. Disponível em: http://www.hinologia.org/calvino-e-o-salterio-de-genebra-cyrene-paparotti/. Acesso em: 27/6/2026.

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 Referências biográficas

BOST, C. Histoire des Protestants de France, p. 49-52. La Cause – Carrières sous Poissy- Franc.
LEJEUNE, J. Reforme & Contrereforme, p. 10 e 11. Outhere, 2010 – Áustria.

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