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Destaques

LANÇAMENTO: LIVRO "JOÃO CALVINO: QUEM DIZEM QUE SOU?"

 S ob empréstimo da pergunta de Jesus aos discípulos, foi publicada a décima obra da Coleção Calvino21 , organizada pelo historiador e teólogo J. A. Lucas Guimarães, sob o título: ▪ ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ ▪   ┌   JOÃO CALVINO: “QUEM DIZEM QUE SOU?” ▪  Esboços de retratos calvinianos  ▪ ▪ ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ Capa do livro "João Calvino: 'Quem dizem que sou?'" N ela temos a convicção de que a relação de seu contexto original com as identificações à pessoa de João Calvino desde sua morte, não é mera coincidência. Se lhe fosse oportuno um lance de existência atual, é possível que ele fizesse semelhante indagação, apesar de seu desinteresse por ela em sua existência. Desse modo, tem início o empenho de disponibilizar a verdade histórica da identidade e identificação de João Calvino: advogado, um dos principais líder da Reforma Protestante do século XVI, pastor na cidade de Genebra e escritor cristão, com vasta liter...

CALVINOFOBIA, OU ENORME MEDO DE GOSTAR DE CALVINO

▪ ▪ ▪   J. A. Lucas Guimarães

Não, por acaso, parece que tem fobia para tudo no, já avançado, século XXI. São tantas fobias, que estão deixando de lado a língua latina e vão arranjando a palavra “fobia” com o que se quer ter medo. Agora comecei a pensar que dois medos são necessários evitar, a saber: medofobia e fobiafobia. Como o medo tem sua função, não posso evitar tê-lo, mas tenho que os manter sob limite para não me paralisarem na manifestação das emoções. Isso mesmo! O medo não é uma entidade, mas uma emoção humana e humanamente. Quanto ao medo de fobia, é necessário ter cuidado com as fobias, pois sempre é patológico, na medida é o exagero que o nosso descontrole emocional cria à naturalidade do medo. caracterização da palavra “fobia” à exagerada aversão a algo ou alguém. Quando a constatação é da própria pessoa a respeito dela mesma, em relação a algo ou alguém, que pretende convencer da total incompatibilidade e se fazer entendida da impossibilidade de aproximação ou pertencimento à referência preterida. Quase sempre, com ar de desdém, é dito: “Jamais! Até mesmo só em pensar, sinto fobia!” Por sua vez, o diagnóstico dirigido à outra pessoa, na busca de mediar uma maior sensibilidade, empatia e leveza aos condicionadores do ego (egoísmo) e éticos (moralismo), foi dito: “Você tem é fobia disso!” No entanto, foi ouvido como se insinuasse que a causa era o preconceito da parte dela (Foi ouvido: “Você tem é preconceito a isso!”).

É comum ocultar o preconceito através do uso de termos, como esse em menção. Um exemplo disso, ouvi de uma senhora, muito elegante e, ainda muito mais, chateada pela dificuldade de acesso aos serviços daquele shopping, devido ao grande número de frequentadores. “Nisso, inevitavelmente, passa a ter fila para tudo. Não sem razão, tenho fobia a pobre!” – conclui seu argumento à colega sobre o motivo daquela superlotação e da sua fobia. Não sem razão, também, não é preciso leitura das entrelinhas, se é que existem, nesse caso!

Isso considerado, não se trata apenas de um caso inusitado, o fato noticiado em matéria informativa na coluna Variedades da edição de 28/3/1891, do Jornal Imprensa Evangélica, em circulação no Rio Janeiro. Sob o título de “Calvinofobia”, foi informado a ocorrência do primeiro caso de acometimento humano pela patologia a nominar a matéria, que se traduz como medo exagerado à pessoa de João Calvino. Em brevidade textual, sobre a novidade aparentemente inusitada, o colunista noticiou:
Calvinofobia — Está sofrendo de um ataque agudo dessa doença um colega do norte, segundo obtemos de seu próprio testemunho, em que morde a torto e a direito. Recomendamos que ele se ocupe, antes, de “melhores coisas e mais vizinhas à salvação, ainda que assim falemos” e que, como remédio, tome muitas doses das obras de Calvino.
O diagnóstico foi possível devido a singularidade da manifestação informada pelo paciente, mas comumente observado pelos seguintes sintomas: aversão compulsiva a tudo que se refere a ele, morosidade de raciocínio lógico das ideias calvinianas e inclinação à fixação ao senso comum, dada à indisposição ao conhecimento das recentes pesquisas a respeito, bem como mudança de humor e irritabilidade, com sério comprometimento da sociabilidade, quando exposto à conversa favorável à aceitação de opinião ou ideia do antigo pastor de Genebra e fundador de sua mundialmente reconhecida Universidade.

Capa do Jornal Imprensa Evangélica, Ano XXVII, Edição nº 13, de 28/3/1891. Fonte: memoria.bn.gov.br

Excerto do Jornal Imprensa Evangélica, edição de 28/3/1891. Fonte: memoria.bn.gov.br

Diante da intensa propaganda antiprotestante direcionada, principalmente, a se manter denegrindo a imagem do reformador suíço do século XVI, valendo-se da crendice. De fato, a ponto de fazer acreditar que, apenas em pensar no nome dele, mesmo inocentemente, poderia ocorrer por essa danação, em razão da gravidade do pecado cometido por pensamento, no mínimo, a penalidade de padecimento no purgatório, mas com enorme possibilidade de atalho direto ao inferno. Portanto, numa época em que as crendices significavam muito ao simbólico sociorreligioso, não seria estranho o fato noticiado em matéria do referido jornal, como primeiro caso diagnosticado, no início da última década do século XIX, de acometimento humano por “Calvinofobia”: quadro de natureza patológica, com distúrbio mental vinculado à memória de João Calvino, reformador do século XVI, observado através das seguintes manifestações sintomáticas: alteração de humor, comprometimento da lógica discursiva e fixação de opinião em nível de senso comum, sob o crivo da defesa do sistema religioso de adesão (defesa) ou de insulto a existência religiosa e de suas instituições, das quais o reformador é prova de sua crueldade (julgamento).

No entanto, em sua matéria, o colunista apenas aproveitou o ocasionado uso de expressão linguística metafórica, comumente utilizada para convencimento da convicção oposta assumida em relação ao tratamento de um assunto ou forma de demonstrar incompatibilidade, a ponto de nem se deixar ouvir a respeito. Muita audição foi dada à declaração, que apenas ao ouvir sobre um assunto tem-se o acometimento de ataque de tremores, dentre outros sintomas. Por certo, assim como atualmente, ao final do século XIX esse modo de se expressar não era considerado que de fato havia ocorrido uma reação patológica.

Como se observa na prescrição de medicação ao colega, o colunista faz entender que a matéria é resposta à informalidade ocorrida na conversa entre eles, em demonstração de plena indisposição à adesão às ideias calvinianas pelo colega, através de usual metáfora. Ou, pelo respeito e confiança na integridade do colega, medo de também se tornar calviniano, uma pessoa que gosta da sabedoria cristã nas ideias do reformador francês. Por certo, a leitura da matéria oportunizou momento de risos ao colega do norte. Da parte do colunista, o sentimento de esperança, que seu conselho fosse a abertura da via à evangelização do seu estimado, ou melhor, a calvinização dele.

Convém ressaltar o fato de que, não poucas vezes, tem-se deparado com considerada quantidade e variados níveis de pessoas, sob o referido distúrbio mental: o “Calvinofobia”, verificada pelo ataque mais do que agudo (porém, crônico), de falta de educação, arrogância e cinismo, quando envolvido no trato pessoal à conversa sobre o pensamento calviniano.

Faz parte da política de confidencialidade e respeito ao leitor do Blog Calvino21, jamais usar de réplica à sua opinião nos comentários através de postagem posterior ou resposta pública nos comentários, de forma a ocasionar condicionamento à sua liberdade de expressão. Muitos comentários não são aprovados à publicação na postagem, pois são escritos por pessoas que apresentam os sintomas, acima descritos, próprios aos portadores de calvinofobia. Na maioria das vezes, usam apenas duas linhas do formulário de comentários, mas parece que o preencheram todo, devido a expressão de sentimento parecido com o de vingança ou perseguição intencional, mesmo em postagem não polêmica e sem motivo à réplica do leitor. Assemelha-se à opinião de uma colega com fobia à barata: “É barata? Ela deve morrer ou tenho que correr!”

Outros tem aversão a João Calvino, que nem mesmo eles sabem o motivo dessa motivação pessoal, exceto por fixação de estereótipo transmitido por livros didáticos e reproduzidos em exames oficiais, como já demostrado em postagem intitulada Calvino em questão: luteranismo e calvinismopublicada na página CalvinEnem do Calvino21, criada para analisar as questões formuladas sobre a pessoa de João Calvino, seja por instituição de ensino ou mídia digital.

Por fim, assim como o colunista, foi através de um colega que observei o mais recente sintoma de acometimento por calvinofobia: um forte medo de gostar de Calvino. Como? Explico. Em audição participativa à conversa sobre Calvino, meu colega se aproximou e disse: “— Cara, eu detesto Calvino, devido à sua tirania em Genebra e à doutrina da predestinação, mas do jeito que você fala dele, tenho até medo de começar a gostar dele.” Seria o primeiro?

Melhoras desse quadro, somente se espera caso o paciente siga a centenária recomendação prescrita de intervenção terapêutica e medicamentosa: ocupar-se, antes, “das coisas que são melhores e pertencentes à salvação” (Hb. 6.9) e, como remédio, tomar muitas doses das obras de João Calvino.


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J. A. Lucas Guimarães Organizador do Blog Calvino21, historiador, pastor presbiteriano, jornalista-escritor, com várias obras publicadas sobre o reformador francês, dentre elas o livro Calvino, Ciência e fake news.
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