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Destaques

LANÇAMENTO: LIVRO "JOÃO CALVINO: QUEM DIZEM QUE SOU?"

 S ob empréstimo da pergunta de Jesus aos discípulos, foi publicada a décima obra da Coleção Calvino21 , organizada pelo historiador e teólogo J. A. Lucas Guimarães, sob o título: ▪ ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ ▪   ┌   JOÃO CALVINO: “QUEM DIZEM QUE SOU?” ▪  Esboços de retratos calvinianos  ▪ ▪ ▪ ▪  ▪ ▪  ▪ Capa do livro "João Calvino: 'Quem dizem que sou?'" N ela temos a convicção de que a relação de seu contexto original com as identificações à pessoa de João Calvino desde sua morte, não é mera coincidência. Se lhe fosse oportuno um lance de existência atual, é possível que ele fizesse semelhante indagação, apesar de seu desinteresse por ela em sua existência. Desse modo, tem início o empenho de disponibilizar a verdade histórica da identidade e identificação de João Calvino: advogado, um dos principais líder da Reforma Protestante do século XVI, pastor na cidade de Genebra e escritor cristão, com vasta liter...

JOÃO CALVINO EM MEDALHA: 300 ANOS DE GENEBRA À REFORMA

▪ ▪ ▪   J. A. Lucas Guimarães

A  numismática calviniana, ou seja, a cunhagem de moedas e medalhas em homenagem a João Calvino (1509-1564), reformador protestante do século XVI, é duplamente rica. Primeiramente, pelo elevado número de peças cunhadas com referência gravada sobre ele, nos diversos continentes e por variadas comemorações e homenagens que o relacionam indiretamente, seja a movimento religioso ou sistema teológico. E, por sua vez, pela originalidade e singularidade da expressão artística numismática, que se soma à filatélica e à iconográfica, na qual arte e linguística são colocadas em vínculo intencionalmente inseparável para transporte e comunicação do discurso que se propõe transmitir pelo memorial comemorativo. Isso requer o uso da hermenêutica, como componente externo, para interpretar não simplesmente as legendas, mas ao procedimento de análise do discurso nelas ou na ausência delas, ou seja: o dito, o não-dito e o dito-não-dito. Exemplo de semelhante abordagem, encontra-se na postagem intitulada Calvino e medalha de 4º Centenário: Memória e Política. Segundo o autor, organizador do Blog Calvino21, J. A. Lucas Guimarães, a peça exposta em menção, considerado o contexto, teve cunhagem voltada a forte apelo político, sob suporte do insuspeitável e devido comemorativo: à oportunidade, o oportuno!

Portanto, além da conveniência da beleza artística, a numismática oportuniza ao pesquisador do resgate do legado à posteridade da comunidade que ressignifica o marco histórico em sua geração, ao interpretar o representado através de sua homenagem material. Nisso, ocorre o que é fundamental à permanência da memória histórica. O legado recebido é atualizado a partir da perspectiva do momento, que atualiza o homenageado à sua época e o insere na pertinência do presente, de forma a garantir sua memória não-cristalizada, mas com elasticidade ao futuro. Não é por acaso que objeto é datado, pois tem cunhagem destinada a se tornar marco histórico: do momento ao futuro.

De certo, João Calvino nasceu em ambiente apropriado à memória histórica através da numismática. A região da Suíça refugiou famílias que mantinha legado de ofício a cunhagem de medalhas. Isso favoreceu sua relação com a própria tradição suíça, cuja emissão está ligada a homenagem ou registro de evento, servindo para perpetuar a memória histórica, cultural e artística do país, sob o interesse de uma comunidade de colecionadores, que precisam agregar seu valor representativo à identidade cultural suíça à peça de sua coleção ou investimento, assim como sua conservação, onde tempo e originalidade são elementos de padronização de medida de valor à ocorrência da aquisição da peça. Portanto, um evento que teve edição de medalha é passivo de memorial, por exigência de sua própria existência, sob condicionamento da necessidade de sua conservação material como transporte do imaterial. Isso considerado, como pessoa que teve sua imagem comprometida pela intencionalidade difamatória, como vulto histórico natural desse ambiente, Calvino teve sua imagem devidamente gravada em medalhas comemorativas e nelas homenageado condizentemente à sociedade e sob seu reconhecimento, a considerar o elevado número de cunhagem comemorativa à sua pessoa.

Agora, em mais uma exposição numismática, tem-se a belíssima peça representativa ao 3º Centenário de um momento crucial à cidade de Genebra: a adoção da fé reformada como religião oficial, em data de 21/5/1535. Isso significaria, em pouco tempo, sua projeção à condição de futura cidade moderna e referencial ao universo protestante, como ambiente de refúgio aos despatriados, devido à perseguição religiosa aos adeptos da fé reformada, e paradigma de efetiva sociedade protestante, em nível de intelectualidade (sistema de ensino e Universidade), liderança (governo civil e religioso), ortodoxia (manuais de fé e liturgia) e assistência social (diaconia).

Portanto, como marco da geração genebrina do século XIX, segue:

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 MEDALHA COMEMORATIVA 
▪ 3º CENTENÁRIO DE GENEBRA REFORMADA 
 ANVERSO 
 Legenda 
Retratos
GVILELM FAREL
JOHANNES CALVIN
PETRVS VIRET
THEODORVS DE BEZET
Margem esquerda
JVBIL ▪ REFORMAT ▪ RELIG ▪ GENEV ▪ TERT
Margem direita
SEC ▪ CELEBR ▪ AVG ▪ D ▪ XXIII ▪ AN ▪ MDCCCXXXV
Centro, brasão
POST TENEBRAS LUX
 Descrição 
Medalha de prata comemorativa ao 3º Centenário da Reforma Religiosa de Genebra, gravada por A. Bovy, em 1835 (Genebra, Suíça). Com legendas em latim e escudo da cidade de Genebra no centroem medalhões, tem-se os retratos dos reformadores que atuaram na fase inicial de consolidação da Reforma, a saber: Guilherme Farel, João Calvino, Pedro Viret e Teodoro de Beza. É possível pensar, devido a perspectiva central de sua posição na medalha, que a Calvino foi dado primazia de nível de importância na homenagem, mesmo sem parte do acontecimento inaugural. Convém ressaltar, que a disposição da gravação dos nomes é cronológica, da esquerda à direita. No entanto, apenas lhe é conferido a segunda posição, na condição de segundo pastor da cidade, em substituição a Farel. Portanto, é classificação cronológica do exercício pastoral (da esquerda à direita) e não posição de nível da prática (de baixo para cima).
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 VERSO 
 Legenda 
Margem esquerda
BIBLIA FIDEI ET
Margem direita
RATIONI RESTITVTA. Inv. ET F.
Base do púlpito
LIBER APERTVS EST QVI EST VITÆ
 Descrição 
Duas figuras femininas ao redor de um altar sustentando uma Bíblia aberta, sob uma pomba radiante. Aqui se tem a representação da República genebrina, que exerce seu poder através da autoridade civil e religiosa. Observa-se a centralidade da Bíblia, como autoridade sobre as autoridades, pois tem sobre si mesma a divina inspiração, causa de sua dignidade permanente. No entanto, a fidelidade à Bíblia não requer o preterimento da razão, mas seu resgate.
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Agora, encontrada em exposição, pode-se observar que a medalha possui uma excelência artística da gravação impressionante, de modo a preencher o espaço com uma significação histórica capaz de modo a tornar o passado enriquecedor do sentido do presente e capaz de renovar a força histórica do marco comemorado para assumir a devido identidade ao se projetar para se assumir como o futuro do ontem. Esse é o espírito do legado calviniano à sociedade genebrina: celebrar e professar a religião Post tenebras lux, "da luz, após as trevas".

O lema Post tenebras lux, que segue agregado ao brasão da cidade de Genebra foi legado de João Calvino e se faz testemunho dela através das gerações e na sua projeção ao futuro, que sua identidade é memorial no rosto do reformador. Portanto, nunca será estranho a apresentação do retrato de João Calvino em representação da cidade de Genebra.

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J. A. Lucas Guimarães  Mestre em Ciências da Religião (UPM/SP), teólogo-pastor presbiteriano, historiador-docente (SEDUC/SP) e jornalista-escritor, responsável pelo Blog Calvino21 e editor da Série de livros Calvino21.

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